A doutrina do santuário ocupa um lugar central na mensagem bíblica, especialmente quando se considera o tempo do fim. Ela não é um tema isolado nem restrito a rituais antigos, mas a estrutura que une as grandes verdades das Escrituras: quem é Deus, como surgiu o pecado, de que maneira ocorre a salvação, qual é a missão da igreja e como se dará o desfecho da história humana.
Por meio do santuário, Deus revela não apenas o que faz, mas quem Ele é. Seu propósito maior é tornar visível Sua justiça, Seu amor e Sua misericórdia, tendo Cristo como o centro absoluto dessa revelação.
Para compreender essa doutrina, consideraremos três grandes aspectos.
A Proximidade de Deus: o Eterno que Decide Habitar Conosco
A Bíblia apresenta um Deus soberano, entronizado acima da criação. Ele é eterno, imutável e não depende de nada criado para existir (Sl 93:1, 2, 5; Jr 17:12). O próprio Salomão reconheceu que “os céus, e até os céus dos céus, não podem conter” o Senhor (1Rs 8:27). João afirma que tudo o que existe veio à existência por meio do Verbo eterno (Jo 1:1-3).
Ainda assim, esse Deus infinito tomou uma decisão extraordinária: habitar com Suas criaturas dentro do tempo e do espaço que Ele mesmo criou.
Essa escolha representa uma profunda condescendência divina. Deus não apenas cria à distância; Ele Se aproxima. Essa proximidade envolve sacrifício, pois o contato com seres limitados e posteriormente pecadores exigiria um alto custo. No entanto, movido pelo amor, o Senhor escolheu caminhar com a humanidade, tornando possível uma relação viva, consciente e restauradora.
Desde o princípio, o desejo de Deus foi estar perto. O santuário surge exatamente como a expressão visível dessa intenção: Deus no meio do Seu povo.
Rebelião, Promessa e o Surgimento do Templo
Dois eventos romperam a harmonia da criação.
O primeiro ocorreu no céu. Um querubim ungido passou a desejar ocupar o lugar do Criador, aspirando ser semelhante ao Altíssimo (Is 14:13, 14). Essa rebelião desencadeou um conflito cósmico, resultando em sua expulsão da presença de Deus, juntamente com os anjos que o seguiram (Ap 12:7, 8).
O segundo evento aconteceu na Terra. Enganados pela mesma rebelião, os seres humanos escolheram desobedecer a Deus (Gn 3:1-7), rompendo a comunhão com o Criador. O pecado não apenas trouxe culpa, mas separação, medo e morte.
Ainda assim, no próprio cenário da queda, Deus anunciou uma promessa. Um Salvador viria para vencer o mal e restaurar aquilo que havia sido perdido (Gn 3:15). A provisão de vestes (Gn 3:21) e os primeiros sacrifícios revelam que a reconciliação exigiria sangue, apontando para uma vida oferecida em lugar do pecador.
Ao longo da história, Deus acompanhou a humanidade como um Deus presente. Altares foram erguidos (Gn 8:20; 22:9-14), sacrifícios foram oferecidos e a esperança foi mantida viva. Mais tarde, o Senhor escolheu uma nação para preservar essa promessa (Gn 12:1-3) e ordenou a construção de um tabernáculo, dizendo: “E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles” (Êx 25:8).
O santuário terrestre não era um fim em si mesmo. Ele foi construído “conforme o modelo” celestial (Êx 25:9), funcionando como uma representação visível da obra que Deus realiza no céu em favor da humanidade (Hb 8:5).
O Santuário Terrestre e o Ministério de Cristo
O tabernáculo terrestre refletia uma realidade maior. Segundo Hebreus, ele era “figura e sombra das coisas celestiais” (Hb 8:5), e seu sistema sacerdotal apontava para o ministério de Cristo no santuário celestial (Hb 8:1, 2).
O serviço do santuário era dividido em dois grandes momentos:
a) O ministério diário
Realizado continuamente, envolvia o sacrifício de animais e a aplicação do sangue em favor do pecador arrependido (Lv 17:11; Nm 28:3, 4). Esse ritual ensinava que o perdão só é possível mediante a substituição, uma vida em lugar de outra.
b) O ministério anual
Descrito em Levítico 16, o Dia da Expiação representava um juízo, no qual o santuário era purificado e o pecado definitivamente tratado. Esse ritual mostrava que o plano da salvação não termina apenas no perdão individual, mas culmina na erradicação total do pecado.
Esses dois serviços revelam a progressão do processo expiatório: primeiro, o perdão; depois, o juízo e a restauração final.
4. O Messias, o Templo Celestial e o Tempo Profético
Quando chegou a plenitude do tempo, o Filho de Deus Se encarnou (Gl 4:4). Ele foi chamado Emanuel, “Deus conosco” (Mt 1:23). Sua vida, morte e ressurreição cumpriram perfeitamente tudo o que o sistema do santuário prefigurava.
Após Sua ascensão, Cristo iniciou Seu ministério sacerdotal no santuário celestial, aplicando os méritos de Seu sacrifício aos que creem (Rm 3:21-26; Hb 10:19, 20).
O profeta Daniel revelou que essa obra ocorreria dentro de um período profético de 2.300 dias (Dn 8:14). A primeira parte dessa profecia, as 70 semanas (Dn 9:24-26), aponta para a manifestação do Messias e o início de Seu ministério sacerdotal após Sua morte e ascensão.
A segunda etapa conduz ao ano de 1844, quando Cristo inicia a fase final de Seu ministério, correspondente ao Dia antitípico da Expiação (Hb 9:23). Essa obra é descrita nas Escrituras como um juízo pré-advento, anunciado ao mundo como parte da mensagem final (Ap 14:6-12).
5. Juízo, Restauração e o Fim do Conflito Cósmico
O juízo tem dois propósitos fundamentais.
Primeiro, vindicar o povo de Deus, demonstrando publicamente quem aceitou o sacrifício de Cristo e teve sua vida transformada (Dn 7:9, 10, 22). Esse processo restaura o pleno acesso à presença divina e prepara o caminho para o retorno de Cristo (Jo 14:1-3).
Segundo, resolver definitivamente o problema do pecado no Universo. Os ímpios, diante do Cordeiro, reconhecerão a justiça de Deus e a validade de Seu juízo (Ap 6:15-17; 20:11-15). Ninguém será condenado sem compreender plenamente o amor demonstrado na cruz.
Ao final, todo o Universo reconhecerá que Deus é justo e misericordioso (Fp 2:9-11; Ap 5:11-13). O santuário, que começou como uma tenda no deserto e se revelou no céu, descerá à Terra restaurada. Deus habitará para sempre com os seres humanos redimidos (Ap 21:2-4).
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